Você se lembra daquele velho ditado que diz que é melhor prevenir do que remediar?
E com motocicleta não é diferente, manutenção é a garantia de uma motocicleta sempre em perfeitas condições de uso. Fazer manutenção de sua moto significa reduzir o risco de quebras, resultando em muitos benefícios para todos os usuários da motocicleta. No Manual do Proprietário existe um capítulo que fala exclusivamente desse assunto, nele você encontra uma tabela que apresenta os intervalos de quilometragem ou tempo para realização das manutenções preventivas. Siga-o rigorosamente e tenha sempre uma motocicleta em perfeitas condições de uso.
Aqui tem algumas dicas para diversos tipos de honda:
Lubrificação – Motos 4 Tempos
A maioria das motos 4 tempos possuem sistema motor/ transmissão acoplados, onde o lubrificante responsável pela lubrificação do motor também é responsável pela lubrificação do sistema de transmissão / embreagem.
Por isso, o lubrificante deve garantir que uma excelente lubrificação do motor, e ao mesmo tempo ter uma característica de fricção que evite o deslizamento (“patinação”) dos discos de embreagem. Este deslizamento geralmente é provocado pelo uso de produtos com alto nível de aditivação (lubrificantes desenvolvidos para uso em motores de carros de passeio), que trabalham sob diferentes condições.
A recomendação é sempre seguir a “recomendação dos fabricantes”, pois a mesma realiza longos testes para a definição do produto e trocas recomendadas.
Principais níveis de desempenho solicitados por motos 4 Tempos:
API (SF, SG)
JASO (MA)
As motocicletas exigem produtos com aditivação específica, pois as características são distintas de outros veículos, como:
- Altas temperaturas de operação;
- Grandes variações de temperatura de trabalho;
- Alta potência específica – aproximadamente 1,5 vezes maior do que a de um carro de passeio;
- Altas rotações – aproximadamente 2 vezes a de um carro;
- Reservatórios de óleo menores.
Estas característica resultam em uma condição severa ao lubrificante, por isso, o uso de produtos com aditivação específica e com bases sintéticas (que melhoram a capacidade de lubrificação e a resistência a oxidação do óleo em uso) irão trazer benefícios como o aumento da potência e da vida útil dos componentes lubrificados.
Lubrificação – Motos 2 Tempos
Nos motores 2 tempos, o lubrificante e o combustível são misturados previamente em uma proporção específica, e esta mistura lubrifica as partes móveis do motor, antes de ser queimada.
A mistura pode ser feita diretamente no tanque de combustível, quando o lubrificante é adicionado na proporção relativa à quantidade de combustível, ou por sistema automático de dosagem (sistema autolube), onde o lubrificante é bombeado ao combustível antes de sua queima no motor.
A taxa de diluição é determinada pelo fabricante do equipamento, e é importante que seja seguida rigorosamente, pois o excesso de óleo na mistura pode fazer com que as peças fiquem “meladas” de óleo, enquanto que o excesso de combustível pode fazer com que as peças azulem, por falta de lubrificação.
Em regime de competição, normalmente é o próprio piloto quem especifica a taxa de diluição, baseada na melhor taxa de carburação encontrada, que irá variar de acordo com moto e com o serviço.
Nestes motores, a queima da mistura ar/ combustível ocorre em 2 ciclos.
Como o lubrificante é queimado juntamente com o combustível, são características importantes deste:
- Ter um alto poder de lubrificação;
- Promover menor formação de cinzas/ fumos na pré-combustão, melhorando as características dos gases de escape;
- Ter uma alta capacidade detergente, promovendo eficaz limpeza interna do motor.
Pneus
Uma das dúvidas mais freqüentes é o que fazer se o pneu furar. Existem alguns recursos no mercado e algumas precauções que devem ser tomadas. Recomendamos nunca pegar a estrada com pneus carecas ou em mau estado de conservação.
Para pneus sem câmara de ar, siga as mesmas recomendações do pneu com câmara, mas lembre-se de incluir buchinhas no seu kit de reparo.
Nas viagens
Durante viagens longas sua moto vai precisar de manutenção, pois o desgaste das peças e engrenagens é muito maior. É necessário verificar a cada 500 Km o nível do óleo do motor, a lubrificação e a tensão da corrente. Sempre que parar para abastecer verifique se os pneus precisam de calibragem. Cuidado com a disposição da bagagem e a tensão das amarras, pois elas podem se soltar durante a viagem. Não leve mochilas nas costas, pois elas causam cansaço e “caem” nas curvas.
Cuidados: procure não desrespeitar a velocidade limite, pois um tombo longe de casa pode estragar sua viagem. Cuidado com o garupa: procure levar pessoas preparadas, pois o passageiro vai sofrer um cansaço físico maior que você. Evite viajar durante a noite.
Lubrificação da corrente: todas as marcas recomendam que a cada 500 km você lubrifique a corrente. Isso evita o desgaste excessivo, apesar de sujar bastante a roda traseira. O lubrificante mais recomendado é óleo 90 (altamente viscoso), embora alguns prefiram graxa náutica – que é branca e não sai com água.
Calibragem dos pneus: a calibragem correta dos pneus é um dos fatores que auxiliam nas curvas. As motos com pneus entre 170 a 190 (traseiro), quando usadas sem garupa devem usar de 38 a 40 libras (pneu quente).
Obs.: o pneu, quando aquece por dilatação do ar, pode aumentar a calibragem em até 8 libras, isto significa que um pneu calibrado frio e usado em condições quentes – como uma viagem com mais de 45 minutos a uma temperatura ambiente de 20° C – pode chegar a 48 libras, deixando seu pneu muito duro, perdendo sua aderência nas curvas. Já o dianteiro deve usar 4 libras a menos que o traseiro, pois seu volume cúbico é menor. Se você preferir, utilize Nitrogênio para calibrar, pois ele tem um ponto de dilatação mais elevado e isto mantém mais estável a calibragem. Resumindo, quando você for andar na cidade, calibre no máximo, mas quando for para estrada, lembre de acertar sua calibragem para menos, mantendo a melhor performance dos seus pneus.
Troca dos pneus: quando você for trocar um pneu tenha alguns cuidados básicos, procure sempre trocar em máquina de montagem, especialmente se for rodas raiadas. Após a troca, lembre-se que todo pneu vem de fábrica com uma camada de cera bastante escorregadia e tracionar ou forçar uma curva é tombo certo! Mas como evitar isso? Se for pneu dianteiro, use uma lixa grossa de qualquer tipo e passe em toda banda de rodagem; se for traseiro, vá até uma área de areia ou cascalho fino e dê uma patinada com no mínimo duas voltas no pneu e estará limpo, a areia funcionará como lixa.
Quando trocar? Geralmente os pneus originais duram em torno de 10.000 km nas esportivas e 12.000 km nas custons. Mas, independente disso, se você perceber que os pneus estão quase sem friso na faixa central, não hesite, troque-os! Se você começar a perceber que a moto está um pouco instável, especialmente em curvas, examine primeiro a calibragem. Se estiver correta, verifique o desgaste dos pneus.
Como escolher o pneu certo? Há vários tipos de pneus. Alguns mais duros – que duram mais e são menos eficazes quando usados no limite – e outros mais macios – que duram menos, mas que são “verdadeiros chicletes” no asfalto. Pense em como você usa sua moto e faça a escolha certa.
Parafusos em geral: sempre que lembrar, dê uma geral nos parafusos de carenagem, rodas, suportes, etc. A alta vibração provocada tanto pelo motor, quanto pelo tipo de calçamento, afrouxam sistematicamente os parafusos. Mantenha sua moto sempre justa.
Gasolina no tanque: os mecânicos de competição no Brasil recomendam que se use gasolina comum a maior parte do tempo. Não adianta usar gasolinas especiais com maior octanagem, pois o rendimento na cidade e na estrada é imperceptível. O aconselhável é usar, de vez em quando na estrada, um ou dois tanques de gasolina aditivada para descarbonizar o motor e limpar as partes móveis. Manter o tanque sempre cheio evita que se formem gotículas na parte superior do tanque. Quando essas gotículas permanecem por muito tempo, tendem a formar ferrugem no tanque, provocando oxidação das partes móveis de bomba, carburador, etc. Mantenha sempre o tanque o mais cheio possível, o que evita também que a bomba receba sujeira ou água.
Bateria: uma vez a cada seis meses cheque o nível da água da bateria. No entanto, se o farol enfraquecer em marcha lenta, piscar junto com a sinaleira ou acender quando você acelera, procure um posto e complete o nível da solução. Caso não funcione, troque a solução. Obs.: se você for viajar e deixar a moto muitos dias sem ligar, desligue o pólo (-) negativo da bateria por segurança e por precaução contra uma possível descarga da bateria.
Moto no descanso central: as motos com motor em linha (cilindros um ao lado do outro), que tem carburadores um ao lado do outro, devem, preferencialmente, ficar no descanso central. Essa medida serve para manter a equalização dos carburadores, pois quando a moto está no descanso lateral, por gravidade, os carburadores ficam com níveis variados de combustível facilitando a perda da equalização- responsável pelo funcionamento equilibrado de todos os cilindros. Se a sua moto for ficar mais de três dias sem funcionar, opte por usar o cavalete central. Nos casos de esportivas que não possuem cavalete, compre um que suspenda a roda traseira.
por Unicodono